Amei um Bicheiro (1952)

Sinopse:

Jovem ambicioso sai do interior e vem para o Rio de Janeiro, onde acaba se envolvendo com o jogo do bicho. Após um tempo na cadeia, resolve mudar de vida. Casa-se com Laura e tenta viver honestamente. Mas Laura precisa fazer uma cirurgia. Para conseguir o dinheiro, Carlos volta à antiga atividade e acaba desafiando o poderoso Almeida, um violento banqueiro do jogo ilegal, com o apoio da amante francesa do bandido e do amigo Passarinho.

Contexto:

Sim, nós temos noir – e Amei um Bicheiro não procura apenas repetir os códices visuais e temáticos do noir estadunidense, A Atlântida em uma das suas poucas investidas no drama policial reconfigura o mundo sujo do contrabando americano para o jogo do bicho brasileiro. Se por um lado é triste pensar como ainda é atual um filme de 1952 já trazendo um homem poderoso e violento como o bicheiro Almeida (José Lewgoy) torturando a vida do protagonista que tenta ser um homem honesto, Grande Otelo já mostra quase trinta anos antes de Lúcio Flávio, O Passageiro da Agonia o ator versátil que era, apesar da fama como comediante, roubando a cena como o bandido Passarinho. Se o Brasil até então não tinha muito espaço para os filmes policiais – até então, espaço contemplado pelos filmes de “mysterio” (grafia usada para aproximar dos mystery movies do mundo anglófono), este certamente pavimentou o caminho para obras posteriores como Assalto ao Trem Pagador, Cidade Ameaçada e Mineirinho Vivo ou Morto.

Por Bernardo Brum

Assista ao filme: